A pedra nos rins (litíase urinária) afeta cerca de 10% da população brasileira ao longo da vida. Quando o cálculo não passa espontaneamente pela urina, a intervenção médica se torna necessária. Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos transformaram radicalmente o tratamento: hoje, a maioria das pedras pode ser eliminada com procedimentos minimamente invasivos, sem grandes cortes, com recuperação rápida. O urologista é o especialista responsável por indicar o método mais adequado para cada caso.

O que é litotripsia?

O termo litotripsia vem do grego e significa, literalmente, "fragmentação de pedra" (lithos = pedra, tripsis = fragmentação). Em sentido amplo, abrange todos os métodos que destroem ou removem cálculos urinários. Na prática clínica, o termo é mais frequentemente usado para designar a litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO), mas existem outros métodos igualmente importantes.

Quando o tratamento ativo é necessário?

Nem todo cálculo renal precisa de intervenção imediata. Cálculos pequenos (até 4-5 mm) têm alta taxa de passagem espontânea com hidratação adequada e medicamentos. A intervenção é indicada quando:

  • O cálculo é grande demais para passar sozinho (geralmente acima de 6-7 mm no ureter ou maior nos rins)
  • Há obstrução do trato urinário com prejuízo à função renal
  • Ocorre infecção urinária associada ao cálculo (emergência urológica)
  • A dor é intratável com medicamentos
  • O cálculo não progrediu após 4 a 6 semanas de conduta expectante
  • O paciente tem rim único ou trabalha em condições em que uma cólica seria perigosa (pilotos, mergulhadores)

Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO)

Como funciona a LECO?

A LECO é o procedimento não invasivo mais utilizado para tratamento de cálculos renais. Um aparelho externo (litotriptor) gera ondas de choque acústicas de alta energia que atravessam os tecidos do corpo sem causar dano significativo e se concentram no cálculo, fragmentando-o em pedaços menores que são então eliminados naturalmente pela urina.

O cálculo é localizado por fluoroscopia (raios X) ou ultrassonografia em tempo real, e o litotriptor é posicionado sobre a pele do paciente, alinhado ao cálculo. Uma sessão dura entre 30 e 60 minutos, podendo ser realizada com sedação leve ou anestesia geral leve.

Quem se beneficia da LECO?

A LECO é mais eficaz para:

  • Cálculos renais de até 20 mm (idealmente até 15 mm)
  • Cálculos de composição favorável (oxalato de cálcio dihidratado, estruvita, ácido úrico)
  • Localização favorável (cálice superior ou médio, pelve renal, ureter proximal)
  • Pacientes sem coagulopatias, marcapasso cardíaco ou gestantes

Vantagens e limitações da LECO

  • Vantagens: não invasivo, pode ser realizado em ambulatório, não requer internação prolongada, pode ser repetido
  • Limitações: menor eficácia para cálculos grandes ou duros (oxalato de cálcio monohidratado, cistina), pode necessitar de mais de uma sessão, taxa de sucesso variável conforme localização
A escolha entre LECO, ureteroscopia flexível e nefrolitotripsia percutânea deve ser individualizada. O urologista considera o tamanho, localização, composição do cálculo e as condições clínicas do paciente para indicar o procedimento mais adequado.

Ureteroscopia com Litotripsia a Laser

Como funciona?

A ureteroscopia consiste na introdução de um instrumento óptico fino e flexível (ureteroscópio) pela uretra, bexiga e ureter até alcançar o cálculo, sem nenhuma incisão. Uma vez localizado o cálculo, um laser de holmium (o mais utilizado) ou um laser de tulium transmite energia por uma fibra ótica ultrafina e fragmenta o cálculo em pó ou pedaços pequenos que são aspirados ou passam espontaneamente pela urina.

O procedimento é realizado sob anestesia geral ou raquidiana, em centro cirúrgico. Ao final, geralmente é deixado um cateter interno (cateter duplo J) que permanece por 1 a 4 semanas para facilitar a drenagem e prevenir obstrução pelos fragmentos.

Ureteroscopia rígida versus flexível

  • Ureteroscopia rígida — para cálculos do ureter médio e distal; instrumento mais robusto e com melhor visão para esses segmentos
  • Ureteroscopia flexível (URS-F) — para cálculos do ureter proximal e do rim (cálices e pelve renal); o instrumento articulado permite acesso a toda a via excretora renal

Indicações da ureteroscopia

  • Cálculos ureterais de qualquer localização, especialmente ureter distal
  • Cálculos renais de até 20 mm quando a LECO falhou ou não é indicada
  • Cálculos duros resistentes à LECO (cistina, oxalato monohidratado)
  • Pacientes obesos (dificuldade de focalização na LECO)
  • Pacientes com marcapasso ou coagulopatia
  • Cálculos em rim em ferradura ou rim transplantado

Recuperação após ureteroscopia

A maioria dos pacientes recebe alta hospitalar no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento. O cateter duplo J pode causar desconforto urinário (urgência, frequência aumentada, dor lombar) enquanto estiver no lugar. Após a retirada do cateter, a recuperação completa costuma ocorrer em poucos dias.

Nefrolitotripsia Percutânea (NLP)

Como funciona?

A nefrolitotripsia percutânea (NLP) é indicada para cálculos grandes ou complexos no rim. O cirurgião cria um acesso direto ao rim através de uma pequena punção (de cerca de 1 cm) no flanco do paciente, guiada por fluoroscopia ou ultrassonografia. Por esse acesso, introduz um instrumento (nefroscópio) que permite visualizar e fragmentar o cálculo com laser, ultrassom ou dispositivos pneumáticos, removendo os fragmentos diretamente.

É realizada sob anestesia geral, com o paciente em posição prona (de bruços). Ao final, geralmente é deixado um tubo de nefrostomia para drenagem temporária do rim.

Quando a NLP é indicada?

  • Cálculos coraliformes — que preenchem toda a pelve e cálices renais
  • Cálculos renais maiores que 20 mm
  • Cálculos em cálice inferior com anatomia desfavorável para LECO ou ureteroscopia
  • Falha de tratamentos menos invasivos
  • Necessidade de remover o cálculo em uma única sessão (ex.: infecção associada)

NLP miniaturizada (Mini-NLP)

Versões mais modernas com instrumentos de menor calibre (mini e ultramini) oferecem resultados similares à NLP clássica com menor sangramento e recuperação mais rápida. A cirurgia percutânea tubeless (sem tubo de nefrostomia) é uma opção em casos selecionados, com alta no mesmo dia.

Cirurgia laparoscópica e robótica para cálculos

Para situações específicas — como cálculos muito grandes na junção ureteropélvica associados a obstrução anatômica, ou falha de múltiplos procedimentos endoscópicos — a pielolitotomia ou ureterolitotomia laparoscópica pode ser uma opção. O acesso robótico permite maior precisão em casos complexos que envolvem reconstrução simultânea da via urinária.

Como é feita a escolha do tratamento?

O urologista baseia a indicação em uma série de fatores:

  • Tamanho do cálculo — cálculos pequenos: LECO ou ureteroscopia; grandes: NLP
  • Localização — ureter distal: ureteroscopia rígida; rim: LECO ou ureteroscopia flexível; cálculos grandes no rim: NLP
  • Composição provável — avaliada por tomografia (densidade em Unidades Hounsfield); cálculos muito densos respondem melhor à ureteroscopia com laser
  • Anatomia do paciente — obesidade, escoliose, rim em ferradura, transplante renal
  • Condições clínicas — coagulopatia, marca-passo, gestação, infecção associada
  • Disponibilidade tecnológica e experiência do centro

Prevenção da recorrência

Após o tratamento, é fundamental investigar a causa da formação de cálculos para prevenir recorrências:

  • Hidratação adequada — ingestão de pelo menos 2,5 litros de líquidos por dia, para manter diurese acima de 2 litros/dia
  • Análise do cálculo — determinação da composição orienta medidas dietéticas e medicamentosas específicas
  • Exames metabólicos — dosagem de cálcio, ácido úrico, oxalato, citrato e outros na urina de 24 horas
  • Ajustes dietéticos — conforme o tipo de cálculo: restrição de sódio e proteína animal (cálcio), restrição de oxalato (espinafre, cacau), alcalinização urinária (ácido úrico)
  • Medicamentos preventivos — citrato de potássio, tiazídicos, alopurinol ou outros conforme a causa identificada
  • Acompanhamento urológico regular

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