A infertilidade masculina é responsável por aproximadamente 40 a 50% dos casos de infertilidade conjugal — um dado que ainda surpreende muitos casais. A dificuldade para ter filhos não é um "problema feminino": o homem deve ser investigado simultaneamente, e em muitos casos a causa é identificável e tratável. O urologista tem papel central nessa investigação, sendo o especialista mais indicado para avaliar a saúde reprodutiva masculina.

O que é infertilidade masculina?

Define-se infertilidade como a incapacidade de um casal em conceber após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contraceptivos (ou 6 meses, se a mulher tiver mais de 35 anos). A infertilidade masculina pode ocorrer por redução na produção, qualidade ou transporte dos espermatozoides, além de problemas na ejaculação ou função sexual.

É importante distinguir infertilidade de esterilidade: a esterilidade é definitiva, enquanto a infertilidade em muitos casos tem tratamento com boas perspectivas de resultado.

Principais causas da infertilidade masculina

As causas são classificadas em três grandes grupos:

Causas pré-testiculares (hormonais)

Problemas hormonais que afetam o estímulo à produção espermática:

  • Hipogonadismo hipogonadotrófico — deficiência de FSH e LH, que são os hormônios que estimulam os testículos
  • Hiperprolactinemia — excesso de prolactina, que suprime a produção de testosterona
  • Uso de anabolizantes e testosterona exógena — causa crescentemente comum; a suplementação de testosterona suprime completamente a produção espermática
  • Obesidade e síndrome metabólica — alteram o perfil hormonal e reduzem a qualidade espermática

Causas testiculares

Problemas que afetam diretamente a produção de espermatozoides:

  • Varicocele — a causa tratável mais comum de infertilidade masculina; presente em 35 a 40% dos homens inférteis
  • Criptorquidia — testículo que não desceu adequadamente na infância; pode comprometer a função testicular permanentemente se não corrigido precocemente
  • Orquite — inflamação testicular, especialmente por caxumba após a puberdade
  • Distúrbios genéticos — síndrome de Klinefelter (47,XXY), microdeleções do cromossomo Y (regiões AZF)
  • Quimioterapia e radioterapia — tratamentos oncológicos que podem lesar o epitélio germinativo
  • Trauma testicular
  • Exposição a calor excessivo — banhos quentes frequentes, profissões que expõem ao calor intenso

Causas pós-testiculares (obstrutivas)

Obstruções que impedem a saída dos espermatozoides mesmo quando a produção é normal:

  • Obstrução do epidídimo ou ductos deferentes — pode ser congênita ou adquirida (por infecção, cirurgia prévia)
  • Agenesia bilateral dos ductos deferentes — ausência congênita dos ductos deferentes, frequentemente associada a mutação do gene CFTR (fibrose cística)
  • Vasectomia prévia — em homens que desejam ter filhos novamente
  • Ejaculação retrógrada — o sêmen vai para a bexiga em vez de ser ejaculado para fora
  • Disfunção erétil ou ejaculatória
O fator masculino está presente em metade dos casos de infertilidade conjugal. Investigar o homem é fundamental — e muitas causas são tratáveis com bons resultados. Não espere anos para procurar um urologista especializado.

O espermograma: o exame central da investigação

O espermograma (análise seminal) é o principal exame para avaliar a fertilidade masculina. É um exame simples, realizado a partir de uma amostra de sêmen coletada por masturbação após 2 a 5 dias de abstinência sexual. Avalia:

  • Volume seminal — normal: acima de 1,4 mL
  • Concentração de espermatozoides — normal: acima de 16 milhões/mL (oligospermia: abaixo desse valor)
  • Motilidade progressiva — porcentagem de espermatozoides com movimento adequado; normal: acima de 30%
  • Morfologia — porcentagem de espermatozoides com forma normal pelos critérios de Kruger; normal: acima de 4%
  • Vitalidade espermática — proporção de espermatozoides vivos
  • pH, leucócitos e outros parâmetros

Um único espermograma alterado não é suficiente para o diagnóstico — recomenda-se repetir o exame com 2 a 4 semanas de intervalo, pois os espermatozoides são produzidos em ciclos de aproximadamente 74 dias e fatores externos podem alterar temporariamente os resultados.

Outros exames na investigação

Dependendo dos achados do espermograma, o urologista pode solicitar:

  1. Dosagem hormonal — FSH, LH, testosterona total e livre, prolactina, TSH; identificam causas hormonais
  2. Ultrassonografia escrotal com doppler — avalia testículos, epidídimos e identifica varicocele
  3. Ultrassonografia transretal — avalia próstata, vesículas seminais e ductos ejaculatórios
  4. Fragmentação do DNA espermático — avalia danos no material genético dos espermatozoides, importante quando há falhas em procedimentos de fertilização assistida
  5. Cariótipo e análise de microdeleção do cromossomo Y — indicados em azoospermia ou oligospermia grave
  6. Biópsia testicular — avalia se há produção espermática nos testículos em casos de azoospermia obstrutiva ou não obstrutiva

Tratamentos disponíveis

O tratamento é direcionado à causa identificada:

Correção cirúrgica da varicocele

A varicocelectomia microcirúrgica é o tratamento mais eficaz para infertilidade associada à varicocele, com melhora dos parâmetros espermáticos em 60 a 80% dos casos e taxas de gravidez natural de 30 a 50%.

Tratamento hormonal

Gonadotrofinas (FSH e hCG) são utilizadas para estimular a espermatogênese em pacientes com hipogonadismo hipogonadotrófico, com excelentes taxas de sucesso. A suspensão de anabolizantes é fundamental e, na maioria dos casos, a função espermática se recupera após alguns meses.

Reconstrução do trato reprodutivo

A vasovasostomia (reversão de vasectomia) e a vasoepididimostomia (desobstrução do epidídimo) são procedimentos microcirúrgicos que restauram a continuidade do trato reprodutivo, permitindo a ejaculação de espermatozoides naturalmente.

Extração cirúrgica de espermatozoides

Em casos de azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado), é possível recuperar espermatozoides diretamente do testículo (TESE — testicular sperm extraction) ou do epidídimo (PESA, MESA) para uso em fertilização assistida.

Reprodução assistida

Quando os tratamentos anteriores não são suficientes, as técnicas de reprodução assistida são indicadas:

  • Inseminação intrauterina (IUI) — para casos de oligospermia leve
  • Fertilização in vitro (FIV) — para casos moderados
  • Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) — para casos graves, com pouquíssimos espermatozoides

Quando procurar o urologista?

Procure avaliação urológica se:

  • O casal tenta engravidar há mais de 12 meses sem sucesso (6 meses se a mulher tiver mais de 35 anos)
  • Há histórico de cirurgia inguinal, escrotal ou urológica prévia
  • Há varicocele conhecida
  • Há histórico de caxumba com orquite, criptorquidia ou infecções genitais
  • Faz ou fez uso de anabolizantes ou testosterona
  • Tem disfunção sexual (ejaculação ou ereção)
  • Tem diabetes, doença celíaca ou outras condições sistêmicas

Dificuldade para ter filhos?

Agende uma avaliação de fertilidade masculina com o Dr. Pedro Henrique em Montes Claros. Investigação completa e tratamento individualizado para o seu caso.

Agendar Consulta